"Meu disco é um manifesto antitropicalista. Fico chocado ao ver que, no ano do Brasil na França, quem nos representa é Carlinhos Brown, Ivete Sangalo, Caetano. Esse povo não me representa. A idéia que fazem da gente é de uma coisa primitiva, singela. É música católica culpada, que faz elegia à singeleza da pobreza. É "Gente humilde", "Meu guri" e "Construção", um rococó barroco de proparoxítonas ao luar. Quero dizer que não nos tornaremos uma micareta constante." Lobão, no Jornal O Globo.
Geralmente eu concordo com o que o Lobão diz, impressionante como ele sempre expressa o que eu também penso. Adoraria que ele fosse artista plástico. Fico imaginando o que Lobão falaria da última Bienal de São Paulo. Também estou cansada de ouvir e ler que brasileiro é somente o que é primitivo, singelo, "regional". Parece loucura, mas tudo que vem, por exemplo, com um leve sotaque nordestino ou uma aura cabocla, atualmente se torna mega original, brasileiro, e o pior: extraordinariamente novo. Mantas de fuxico, redes de pano velho, o senhor cantando lindamente desafinado na porta da humilde casa, um retirante nordestino caminhando numa estrada empoeirada, um punhado de farinha de mandioca com um índio deitado. Aí está a arte brasileira! Bastam apenas alguns desses requisitos e pronto: Arte de artistas genialmente nacionais.
Não!!!
Eu me recuso a acreditar que brasileiro é só o que é amarelo, iluminado, barulhento e carnavalesco. Assim como diz o Lobão, isso não me representa, essa singeleza alienada, meio Polyana, feliz e animada, não tem nada a ver com o que eu entendo de arte brasileira. Me representam é Iberê Camargo e os seus carretéis lindamente escuros...
Poderia ser uma letra do Radiohead, ou, um desenho tosco.
Cris diz: e você? vc não me conta mais nada...
Sr Rios diz: nao tem nada pra contar, amore... minha vida é um marasmo, um tédio, um papel branco preso num aquário assistindo os outros papéis sendo coloridos
São tantos Egos. Seis lá em cima e mais outro aí na lateral.
Não existem muitas explicações sobre a nova "estética" do blog. É claro, algumas são óbvias. Já confessei mil vezes aqui que gostaria de viver num mundo Art Déco, num cenário de algum filme do Fred Astaire ou vestida de Audrey Hepburn. Também queria estar na cidade dos Jetsons e ter um quarto parecido com o da "Jeane é um gênio." Cada dia que passa essas vontades vão se tornando maiores. Então é isso, esse é o Memorial justificativo do novo template do Ego Confession. Na verdade não tem o que se explicar, é só pra se ver, assim feito a pop art. Misturei tudo, tem desenho, Andy Warhol, eu e o branco e vermelho. Enfim, milimetricamente retrô. Eu gostei!
Os ego da vaidade também sabe abrir passagem pro lado menos bonito, menos vaidoso, menos perfeito. Hoje vai escancarar um dos meus grandes defeitos de fábrica. Defeito escondido, mascarado, ou, ignorado. Jogar na cara da “egolomania” seus problemas:
Eu sou disléxica!
Há algum tempo ouvi pela primeira vez sobre esse problema. Mas não sabia muito bem do que se tratava, sabia que às vezes meus irmãos (só os mais íntimos podem apontar esse tipo de defeito) diziam que eu devia sofrer de dislexia. Eu sabia do problema que sempre tive em trocar os v e f, s e ç, p e b. Mas, nunca levei isso a sério. Na verdade, eu achava que isso nunca havia me atrapalhado em nada. Só que hoje, ouvi um diagnóstico médico sobre o problema em um documentário na TV. E deu positivo: eu sofro de todos os sintomas da dislexia.
A dislexia é um distúrbio, uma espécie de lesão no cérebro, que faz com que o lado direito seja mais desenvolvido do que o esquerdo. Assim, os disléxicos têm dificuldade pra aprendizagem padrão, ou seja, no ensino fundamental tem problemas pra se concentrar, pra aprender a ler, escrever, entre outras coisas. O problema vai ganhando novas características com o passar dos anos. O que eu vi nesse documentário é que os médicos e pedagogos descobriram que nós disléxicos nos adaptamos melhor a uma aprendizagem menos tradicional, é que como temos o lado esquerdo menos desenvolvido nos damos melhor com a parte criativa e intuitiva da vida. Já existe uma associação, se chama Associação Brasileira de Dislexia. E por sorte as criancinhas disléxicas do futuro vão sofrer menos com isso. As professoras vão saber lidar melhor com essa coisa. O que mais me impressionou foi ver como possuo 90% de outras características que eu ignorava, eu conhecia os problemas que tenho com a troca que faço entre as letras v e f, s e ç e outras, mas, não sabia que ter dificuldades em manusear mapas, dicionários, listas telefônicas e em decorar seqüências, como meses do ano e alfabeto, também fazia parte desse meu problema. Sempre tive dificuldades em todas estas coisas!!! Antes, eu achava que trocar as letrinhas não era grande problema, mas hoje, descobri que a dificuldade de aprendizagem que tive na escola em relação às disciplinas “racionais” me afetou sim. Nunca, jamais consegui aprender aquela tal Tabela periódica, e tenho, e sempre terei, problemas com a tabuada. (Mas afinal, aquela tabela nunca me serviria pra nada...) Sei que também tenho problemas com mapas.
(Acho que meu Ego está sufocado ele não vai agüentar tantas confissões negativas. Mas eu confesso: sou disléxica. Entretanto, pro bem do meu ego vaidoso eu estou bem acompanhada, junto de mim estão: Picasso e Van Gogh)
“Ao contrário do que muitos pensam, o disléxico sempre contorna suas dificuldades. Ele responde muito bem a tudo que passa para o concreto. Tudo que envolve os sentidos é mais facilmente absorvido. O disléxico também tem sua própria lógica...” Eu concordo com isso, acho que superei de alguma maneira esses problemas, afinal, acabei de escrever uma tese de mestrado com 120 páginas. Não sei ainda se vou procurar algum tipo de tratamento...Mas, acho que foi bom descobrir esse meu problema pra poder tentar superar de alguma forma todos esses probleminhas “básicos”. Quem suspeita também sofrer desse mal, saiba que existe o site da ABD: http://www.dislexia.org.br/
Que é de onde tirei essa e outras informações:
“Definida como um distúrbio ou transtorno de aprendizagem na área da leitura, escrita e soletração, a dislexia é o distúrbio de maior incidência nas salas de aula. Pesquisas realizadas em vários países mostram que cerca de 10 a 15% da população mundial é disléxica. Ao contrário do que muitos pensam, a dislexia não é o resultado de má alfabetização, desatenção, desmotivação ou baixa inteligência. Ela é uma condição hereditária com alterações genéticas, apresentando ainda alterações no padrão neurológico”.
Eu quero viver num cenário dos Jetsons: Levar o cachorro pra passear em uma esteira, voar, cadeiras flutuantes, roupas futuristas, uma empregada robô, e principalmente, as intermináveis janelas contínuas. Eu adoraria sair voando pela cidade dos Jetsons: Sempre fico curiosa pra saber qual a paisagem que eles vêem lá do alto. Talvez fosse nossa cidade, pra eles pré-histórica, toda em ruínas. Eu adoro o modernismo futurista ultrapassado dos Jetsons (talvez por isso goste tanto): uma máquina de escrever modernóide usada por uma secretária robô, e, nada de celulares. Numa aura retrô permanente...
Férias são assim, arruma-se uns armários e a gente acaba encontrando umas relíquias. Encontrei ontem uns cadernos da sétima, oitava série. Fiquei bege! Um deles era de Redação. Pois é, percebi que eu já gostava de escrever e palpitar. Sempre no final das redações eu concluía com as minhas opiniões pessoais sobre o tema. O mais legal é que reparei que o caderno foi uma prévia do blog: todos os textinhos eram seguidos de mini desenhos ilustrativos, que, aliás, eu me lembro bem, estes desenhos eram muito pouco admirados ou aceitos pelas professoras.
Bem... Vou postar aqui parte de duas das redações que mais rolei de rir relendo. A primeira se chama “Guerra no Golfo” e a segunda se chama“ Solidão”. As duas na época foram ilustradas (percebam que meus desenhos já apontavam o meu estilo de hoje). E nos textos não vou alterar os possíveis erros de português e pontuação que cometi na época.
Guerra do Golfo.
“Uma grande guerra ronda os jardins do mundo. Uma guerra furiosa provocada por uma causa que podia ter sido resolvida em paz se os homens não fossem tão irracionais. Dia 15 de janeiro a meia noite foi o prazo para o presidente do Iraque sair do Kuwait, terra que foi invadida pelo mesmo. E os EUA se achando como protetores do mundo foram defender o Kuwait, e a terra atacada pelo Iraque é Israel, que na minha opinião não tem nada a ver com isso. Na minha opinião iria causar menos mortes se os EUA não tivessem se metido no problema do golfo. Com a entrada dos EUA cresce a idéia da terceira guerra mundial.
Solidão
“A solidão é um sentimento bom e mal. Às vezes ela nos parece boa quando queremos refletir, mas solidão demais é meio difícil. Esse sentimento é tão pessoal que podemos estar rodeados de amigos, mas continuamos sós. Por que? Porque talvez o nosso problema ou nossa alegria é tão pessoal que nos sentimos sós com aquilo. Em minha opinião, as pessoas estão sempre sozinhas. Sós consigo mesmas. Há pessoas que gostam de compartilhar a alegria ou tristeza com outras pessoas e há aquelas que gostam de compartilhar apenas consigo mesmas. Por isso que eu falo, a solidão é um sentimento muito pessoal!”