A vida do gato.


Desenho: Cris Alcântara.

O cassiano é um gato que nunca foi à rua. Ele gosta de olhar pela janela do apartamento, escondido atrás da cortina. Também olha de fininho as escadas e o elevador. Mas tem medo. Cassiano dorme 16 horas por dia, come ração e bebe um pouco de água, nunca na vasilha. E ouve música: Rufus Wainwright e Julie Andrews.


Escrito por Cris às 01h01
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Nem sempre a Fada Madrinha ajuda.

Cinderela: - Eu vim lhe dizer adeus.
Fada Madrinha: -Adeus? Eu não gosto dessa palavra, prefiro piaçava, mas se você prefere adeus, diga adeus e eu digo piaçava!
Cinderela: -Eu estou querendo dizer que vou embora de casa!
Fada Madrinha: -De casa pra onde?
Cinderela: -Eu não sei!
Fada Madrinha:-Você só está triste...Precisa de um pouco de filosofia caseira.Deixe me ver...Já sei! A vida é feito um cachimbo, a gente nunca sabe onde o põe!
Está melhor?
Cinderela:-Não...
Fada Madrinha:-Então vamos ver outra. As nuvens passam, o céu fica!
Fada Madrinha:-Melhorou?
Cinderela:-Um pouco...
Fada Madrinha:-Pra finalizar olhe está, a vida é misteriosa, razões estranhas trazem estranhos resultados, assim como as batatas!
Fada Madrinha:-Está melhor?
Cinderela:-Acho que sim...
Fada Madrinha:-Ótimo! Adeus!

E então, a Fada Madrinha parte.

Escrito por Cris às 20h08
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Habemus papam, Arts and crafts e desabafo.

Eu tive um professor que uma vez disse uma frase que eu nunca consegui me esquecer, eu devia ter uns 14 anos, mas até hoje me lembro, ele disse: "o mais triste que pode acontecer a uma pessoa é ela passar cega pela história". Me lembrei hoje dessa frase enquanto via na TV a escolha do novo Papa. Na época, quando esse professor disse isso, estava acontecendo a CPI e o fim do reinado do Collor na presidência. Mas, enfim, hoje eu queria falar sobre isso, sobre como acho triste ver algumas pessoas passarem batido pela história que é contemporânea a elas. Mas me veio outro assunto, aliás, é uma coisa que me impressionou hoje. Não queria falar aqui sobre João Paulo II ou o novo Papa, simplesmente por que acho que esse assunto é sério demais pra ser tratado em blog. Mas antes, queria confessar que eu sou total admiradora do Movimento Arts and Crafts, gosto dos textos do William Morris e também do que Ruskin escrevia. E o que mais me fascina neles é a valorização do que de bom a arte e a tradição já haviam produzido. Por que a vanguarda tem que ser sempre o ideal?
Hoje, foi escolhido o novo Papa. E o Vaticano, felizmente, não cede a nada nem a ninguém, e continua intacto a mudanças e a modismos, imune aos vanguardismos. Aquele ritual é lindo, esteticamente falando ele é perfeito. Acho que já está mais do que provado, principalmente nas artes, que vanguardismos extremados só tem levado a um vazio medonho. O mundo racional e conceitualizado não consegue compreender que a comoção dos católicos diante do corpo de João Paulo II e a alegria diante do novo Papa Bento XVI está longe de grandes intelectualizações. É definida da mesma forma da emoção que se tem diante dos girassóis de Van Gogh, e que pode permenecer para sempre. É como a arte: inexplicável, por mais que nós teóricos queiramos colocá-la dentro de teorias. Os conceitualistas e também os ignorantes, que não entendem essa definição nem o valor de ritos históricos, querem que a Igreja Católica mude, que o novo Papa deva ser um inovador e bla, bla, bla, mas esquecem que se a Igreja católica mudar ela acaba, se torna modismo, incoerente com ela própria, assim como grande parte da contemporaneidade.
Viva o Papa.

Escrito por Cris às 02h39
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Entre música e sonho.

Tive um sonho estranho enquanto dormi ontem ouvindo Los hermanos. Na letra, Amarante diz: “alto aqui do sétimo andar, longe eu via você, e a luz desperdiçada de manhã no copo de café”. Eu soube que a letra ele escreveu pro cachorro dele. E enquanto isso no meu sonho meu cachorro entrou em cena. Meu ex cachorro, que vive atualmente no céu dos cachorros bondosos. Então entra a música: “o seu caso é o tempo passar, quem fala é o doutor”. No meu sonho: Não sei se o Top foi um cachorro bondoso. Ele deu suas mordidas e latidos, teve muitos filhos, muitas cachorras. Passava horas na rua, e eu louca o procurava. Entra a música: “E se eu numa esquina qualquer te vir, será que você vai fugir? Se você for eu vou correr!” Entra meu sonho: E o Top corria, mas voltava quando via a empregada chegando, então pedia pra que ela abrisse logo o portão. Entra a música de novo: “E foi difícil ter que te levar àquele lugar, como é que hoje se diz? Você não quis ficar”. No meu sonho: O Top havia ficado muito doente, e saído daquele lugar: clínica veterinária da doutora Andréia, 'aquele lugar'. Porque no meu sonho ele estava vivo, e remoía um dos ossos que atirávamos pra ele. Terminou a música. E eu acordei.


Escrito por Cris às 23h34
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