Fotografando velhinhos durante viagem.



Estamos acá, sientados en la escadita, y de repente llegan ustedes: turistas a sacar las fotografias como se nosotros fossemos animales en el zoologico! Entonces, lo que quierem? Mirar nuestras boinas todas iguales? No, no, no! Y ahora la fotografia está en la internet, y lo que podemos hacer por nuestros derechos? Y aun lo pior es que la foto que esta niña he sacado no es de las mejores!!! No, no, estamos acá en nuestra aldeiazita medieval, tranquilos, y llegan estos turistas com suyas maquinas fotográficas! Lo culpado de todo esto es aquel maldito Sebastião Salgado, con esta cosa de sacar fotos de las caras de los pobrezitos...Gente, gente, y más gente com cara de sofrimiento, rugas, dolor. Ahora vienen estos brasileños a sacar fotos de nosotros: viejos en nuestra aldeiazita européia medieval...

Escrito por Cris às 17h18
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Efeito do Mestrado: unhas no sabugo.

Je suis desolé! Roí as unhas até o sabugo. Dói, dói, dói...
Só quem tem o habito sabe do que eu falo. Mas é assim, depois do sabugo não tem mais pra onde roer, as unhas acabam.
Ai, ai, depois do banho dói tanto, a água quente maltrata a pele dos dedos que está fragilizada pelas roídas. Pois bem, é isso que nos faz um mestrado. O nervosismo, pilhas de livros, datas e pressão. Sem falar nos neurônios. E assim, as minhas unhas se foram hoje, minhas lindas unhas, quadradas e sempre bem feitinhas com esmalte clarinho. Ai, como dói, só quem tem o habito sabe do que eu estou falando: as unhas roídas até o sabugo.

Argh! Escaneadas as minhas unhas ficaram mais feias ainda! Dêem bem uma olhada no indicador, é o que mais sofreu danos, a unha está pela metade! Ui, eu não imaginava que o estrago tinha sido tão grande! Ótimo incentivo pra amanhã mesmo começar a adubar e deixar crescer novamente...Daqui um mês escaneio de novo e mostro o resultado.

Escrito por Cris às 22h34
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Bicicleta Monark dourada e Feliz aniversário!



Paulo e Zé já não se viam desde o final da década de 80. Zé, como era dono da TV Bandeirantes, da rede de lojas Magazine Luiza e da Caloi, tinha muito o que fazer.
Paulo perdeu tudo, estava falido, a Monark acabou e as lojas Spirandelli também. E ele já não era mais filho do Dedé Santana.
Hoje, depois de quase vinte anos, Paulo e Zé se reencontram:

Paulo: -Zé?
Zé: -Paulo? Cara, não acredito, como você envelheceu! Perdeu aquele jeito de galã de novela da Manchete!
Paulo: -Você também Zé! Cara, você tá tão alto!!!
Zé: -Pois é, e hoje é meu aniversário!
Paulo: -Pô, parabéns!
Zé: -Pois é, tô fazendo 27 anos, e hoje em dia eu não tenho mais aquela mesma vida, não sou mais dono de TV, nem da Caloi e muito menos do Magazine Luiza.
Paulo: -Pois é cara, eu também, já não sou mais dono da Globo, nem da Monark e não tenho mais uma casa em cada país do mundo.
Zé: -É cara, as coisas mudaram, hoje em dia a gente já não pode mais ficar brincando de dar voltas de bicicleta em volta da casa e nem brincar de lixeirinhos!
Paulo: -E muito menos passar o dia brincando de Esquadrão classe A, Comandos em ação e colecionar figurinhas de Chiclete Ploc da copa de 86.
Zé: -É, você viu? Não passa mais Chacrinha nos sábados!!!
Paulo: -É, e nem dá mais pra jogar Cara a Cara...Ele quebrou!
Zé: -Pois é, e o Gênius também!
Paulo: -E você tem visto o Kiulei?
Zé: -Nunca mais vi, mas fiquei sabendo que a mãe do Joca morreu e a cozinha maravilhosa da Ofélia acabou!
Paulo: -É... Tudo mudou. O Manomine já deve ser um adulto! E você, ainda fala "manominomé" pra esfriar a sua comida?
Zé: -Quê??? Eu nem me lembrava mais disso!!!
Paulo: -É Zé, eu já vou indo, foi bom te ver! Parabéns pelo aniversário!
Zé: Valeu, Paulo! Mas espera, uma última pergunta, você sabe onde foi parar a sua bicicleta Monark Dourada?
------------------------------------------------------------------------
Pablo, meu irmãozinho, parabéns pelo seu aniversário!!! É bom demais relembrar quando a gente era criança e brincava de "Paulo e Zé". É bom porque a gente sabe que teve infância, foi bom demais e parece que foi ontem! Quem diria que você já tá fazendo 27 anos, heim?!
Espero que você seja sempre igual ao Zé, seu personagem feliz da bicicleta Monark dourada.



Escrito por Cris às 22h53
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Se nem as palavras pra confirmação de envio dos comentários vão se acabar.

Acho que meu blog anda perdendo aquela potência maníaca e descontrolada de se indignar. Eu mudei? Deixei tudo pra lá? Ego Confession vai se transformar na mais pura e tranqüila abstração de si mesmo? Acabaram os assuntos? Mas como? Se nem as palavras pra confirmação de envio dos comentários vão se acabar. Pois é, ainda existem temas, só acho que vão se repetir. Todas as indignações estão agora girando em torno delas mesmas e do mesmo blog: Já falei de como eu me irrito com a mania que brasileiros tem de falar mal de brasileiros? E de como acho ridículo o ufanismo que toma conta do país durante a Copa do Mundo? Já falei do quanto fico chateada quando entro em uma galeria de arte e piso em cacos de vidro, lixo e farinha de trigo? Já falei que detesto os livros do Saramago? Já falei que acho que Judas já não deveria ser malhado durante as festas juninas? E que os flanelinhas são os seres mais chatos do mundo? Já falei que detesto gente politicamente correta e que as vezes jogo papel de bala pela janela do carro? Já falei que detesto a música da Maria Rita? E que meu guru é o Ferreira Gullar? E ainda assim meu Ego jamais confessou nada, e nem vai confessar! Pois é, mas já faz tempo que as impressões que tenho de tudo não são irritadas. Acho que meu blog anda perdendo aquela potência maníaca e descontrolada de se indignar. E a quem interessa que eu ache tantas coisas? E aliás, a quem interessa que o Jabor também ache tanto? Ou o Millôr e até o chato do Simão?
Ego Confession vai se transformar na mais pura e tranqüila abstração de si mesmo. Afinal, do que é que eu falei? Isso mais parece aqueles discursos idiotas do Tom Zé. Deixei tudo pra lá? Acabaram os assuntos? Mas como? Se nem as palavras pra confirmação de envio dos comentários vão se acabar!
Quer ver?!

Escrito por Cris às 22h25
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Eu de flâneur do século 19.



Pra mim é muito bom olhar, do alto do século 21, a cidade novecentista em preto e branco, com cada um dos seus passantes levando tantos segredinhos. Daqui de tão longe, do futuro, percebo tudo o que a urbe e vocês são na verdade.
Por exemplo, logo ali ó, aqueles dois que andam juntos bem no centro da praça, eu consigo ver que eles estão muito entusiasmados com a onda futurista, um deles é amigo de Marinetti e leu ontem o Manifesto Futurista, ainda sem os retoques. Os dois caminham reclamando do tédio da cidade eclética que vivem, e um deles, o da esquerda, está indo comprar chapéu novo. Já o outro senhor que vai mais atrás, sozinho e com guarda chuva fechado, não está nada feliz, a políticagem não vai bem e ele decidiu se matar, nesse momento está indo apressado pra casa fazer logo isso. Mais adiante há um grupo de homens conversando, são Morris e Ruskin, os dois reclamam da rapidez da cidade e do enorme e irritante cheiro de fumaça, Morris está nervoso e grita desesperado.
Bom, já é fim de tarde, e basta da minha flânerie. Eu sou só uma menina do século 21 e não tenho a paciência de flâneur que Baudelaire tinha. Por hoje é só isso. Tchau.
-------------------------------
Enquanto Olavo lamenta...

Surgi de uma ideiazinha banal, à toa. Sempre estive à margem da sociedade, desprezando as massas, solitário. Amanhã, minhas viagens contadas, segredos desvendados... C'est la vie. Eu, o homem das multidões. Eu, Olavo. Amigo de Baudelaire. Eu, personagem de uma criação, quem diria, reduzido a isso. Eu, Olavo. Amigo de Fred Astaire, João do Rio, Drummond, Morris. Agora, mera invenção de Emília, que me tira de sua caixinha de cacarecos e brinca de faz de conta. Eu, homem sério das galerias parisienses, amigo de Lautrec, Whitman, Pessoa.
Agora aqui, exposto, comentado, aquarelado.

Escrito por Cris às 16h01
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A la Caime.

O post aí abaixo não vai continuar não. Na verdade talvez vai, talvez seja isso aqui. Ou não. Só queria escrever sobre Flávio de Carvalho. Se existe alguém que pode ser chamado de precursor é ele. Flávio Resende de Carvalho (1899 - 1973): Pintor, desenhista, arquiteto, cenógrafo, decorador, escritor, teatrólogo e engenheiro. Ando lendo um pouco sobre ele. Um nome que eu já li em todas as áreas - em todas as épocas - quem é esse homem que se intrometeu em tudo? Passou pela semana de arte moderna de 22, projetou as primeiras casas modernistas do Brasil, os primeiros móveis modernos brasileiros, andou de boné na contramão de uma procissão nos anos 40, foi um dos mais inteligentes pintores do país e disse a melhor frase: "muitos seguem a moda e fazem coisas que podem ser tudo, menos arte. Valem como experiência, como pesquisa. Arte mesmo, não é nada disso". Mas, de repente, enquanto eu lia sobre Flávio de Carvalho, me deu preguiça. Uma enorme e "caimeneana" preguiça.

Escrito por Cris às 23h31
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Precursor:

Do Lat. praecursore
adj. e s. m.,
que ou aquele que vai adiante;
que ou o que anuncia com antecedência um acontecimento ou a chegada de alguém;
objecto ou facto que preanuncia outro.
Exemplo: O de Cristo é João Batista.

PS: Esse post continua...

Escrito por Cris às 00h24
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Com muito orgulho do clã milenar dos lobos.



Concordo. Quando eu ainda era uma cadelinha filhote não sentia tanto medo dos fogos de artifício. Mas sabia quando o Flamengo ia jogar, e depois era aquela barulheira. No começo eu adorava, gostava de ver meu dono tão feliz. Agora morro de medo do barulho, passa o ano e é tudo igual, minha ração continua a mesma e meus dias também. Mas a barulheira nos meus ouvidos só aumenta, e a veterinária disse que nós cachorros ouvimos 100 vezes mais que vocês homens lançadores de fogos de artifício. Não sei o gato - que dormiu tranqüilo na passagem do ano - mas eu me apavorei, os fogos de artifício cada vez mais exagerados, parecia até o fim do mundo! Meu latido vai ficando fraquinho, e eu choro, choro. Nem vem com essa, gato patético, não existe isso de 7 vidas. Eu sou a Malu, sou canina e com muito orgulho do clã milenar dos lobos, e sei que até as hienas já mataram alguns dos seus leões. Só tenho medo mesmo desses fogos. Meu latido vai ficando fraquinho, e eu choro, choro...Ainda bem que tudo termina antes do fim. O mundo não acaba.

Escrito por Cris às 22h29
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Começa ano tudo de novo e eu um gatinho orgulhoso.



Começa ano tudo de novo, e vocês aí, preocupados com fogos de artifício, champagne e tantas reflexões existencialistas. Tudo, tudinho igual, de Kafka à Walt Whitman. E eu aqui, um gatinho bom que olha tranqüilo pro horizonte. Dizem que temos tantas vidinhas. Não sei se ainda tenho 7, talvez só mais 4, já viajei de carro, ônibus e avião. Amanhã viajo de novo. Tudo igual no meu segundo ano, e vocês aí preocupados com fogos de artifício, champagne e tantas reflexões existencialistas. E eu aqui, um felino orgulhoso, lindo por natureza e orgulhoso de novo. E aí vem mais um ano, tudo de novo também. Talvez eu ainda tenha as minhas 7 vidinhas, tudo igual, tudo novo. Eu sou um gatinho bom e olho tranqüilo pro horizonte. Olha lá, o ano novo começa, tudo igual, não muda nada e agora eu corro pra minha colcha macia de lã, bebo meu leitinho e como minha ração de atum e salmão. Ano novo, e vocês aí preocupados com fogos de artifício e champagne. Devo mesmo ainda ter minhas 7 vidinhas, todas intactas, porque eu sou o Cassiano, somente um gatinho angorá, naturalmente lindo e orgulhoso.

Escrito por Cris às 23h00
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