Eu sou Poliana demais? Eu acredito!!!! Acredito mesmo que existem pessoas mais evoluídas que outras. É fato, existem pessoas boas e caladas ou talentosas e tristes ou felizes e humildes ou inteligentes e sombrias ou carismáticas e exibidas ou calmas e engraçadas ou nerds e gente boa e etc... Como vocês podem reparar cada uma dessas qualidades, claro vem acompanhadas de defeitos, porque a gente sabe que ninguém no mundo é perfeito. Mas o que é raro ( eu ainda quero acreditar nisso) é que existem aquelas pessoas vazias, sem talento algum, e quando eu digo sem talento não estou querendo dizer ter talento pra fazer alguma coisa, quero dizer sem talento pra ser GENTE mesmo, gente com G maiúsculo. Ainda bem que encontramos muito poucas pessoas assim, que fazem fofoca, intriga, traição, e maldades. Eu ando percebendo que todo mundo tem defeitos e qualidades que equilibram tudo. Se vocês pararem pra pensar agora em todos seus melhores amigos ou conhecidos vão poder perceber isso, e se pararem pra pensar também em quantas pessoas sem talento pra ser GENTE que vocês tiveram a oportunidade de conhecer na vida vão ver que foram bem menos, poucas mesmo, parei hoje pra pensar nisso e cheguei a constatação de que ou eu sou Poliana demais ou tive sorte, quer dizer conheci mais gente boa do que gente ruim! E com vocês? Também foi assim?
Todo mundo deve ter visto o Mágico de Oz, no filme todos os personagens tem grandes defeitos e imensas qualidades, todo mundo deve se lembrar do leão, do homem de lata... :) Fazem parte de uma metáfora mas são super reais!
Cassiano se assustou com a voz de Rufus O gatinho pequeno olhava o som da voz do chanteur canadian Le chanteur não se importava com os olhinhos do gatinho Cassiano caminhava sobre o som de sua chanson Monsenheur Wainwrigth se esquivava de Cassiano O gatinho assustado pulava, corria, procurava o som da chanson Pobre Rufus, não via Cassiano, que tem os olhinhos mais pequenos e verdes do mundo pobre gatinho agonizava atrás do som da chanson, pobre Rufus... Cassiano não se cansava, o som da chanson ficava mais alto Rufus gritava sua bela voz, o gatinho gritava miando Rufus ria... Cassiano chorava... Rufus já se cansava, o som da chanson acabava Cassiano sentia soninho de gato o chanteur ia calando e Cassiano dormiu...
É isso mesmo, qual a lembrança mais antiga que vocês tem? Basta puxaaaaaaaaaaaar pela memória e ver lá no fundo qual a sua lembrança mais remota. Onde você estava? O que fazia?
Então é isso, todas as histórias que eu receber vão ser publicadas aqui no Blog, e da forma fiel, do jeitinho que vocês tiveram enviado, pra isso podem florear a vontade e dar até mais emoção e poesia pra coisa. Pois é, a idéia é essa, então é só escreverem!
chris.alcantara@uol.com.br
Aguardo as memórias :)
Memórias do meu pai
Meu pai quando tinha uns 7 anos -ele mesmo conta- parecia uma menininha, era o caçulinha e foi criado mais pela minha tia, que era a irmã mais velha dele, do que por minha avó que tinha que cuidar de uma fazenda e de mais 8 filhos. Essa minha tia então fazia do meu pai a sua boneca, deixou o cabelo dele crescer e vestia ele de menininha. Eles vendem a fazenda e se mudam pra cidade. Chegando aqui, meu pai se irrita com a historia das pessoas confundirem ele com uma menininha, então ele, que ja tinha 7 anos de idade, começa a andar peladinho só pra mostrar que não era menina. No primeiro dia ele já se fascina com os trilhos da ferrovia e com a imagem do trem parado. Na primeira noite na cidade ele quase não dorme de ansiedade e assim que o galo canta ele acorda, ainda de madrugada, e sai correndo pela rua, peladinho, até chegar na estação, pra ver passar ali o trem apitando. Essa é a imagem mais remota que ele tem e eu acho que mais poética impossível... Pra quem tiver o mínimo de imaginação, basta imaginar um menininho loirinho, de cabelos até o ombro, correndo por uma ruazinha calma da década de 50 ainda sob a luz da madrugada e desesperado pra alcançar o trem, e logo depois, fascinado olhando o mesmo trem partir... Ele conta que quando voltou pra casa levou uma surra, mas ninguem nunca mais esqueceu dessa história...
Memória poética- Parte 3 Cris Alcântara
Aquele poema saía perdido daquela boca confusa Numa poesia concreta Oco, porta, azeite Tantos peixes na rede Aquela poesia concreta Saía certinha daquela boca Prepotente era seu poeta Torta, aorta, ebúrnea naquela poesia concreta. Num concretismo perene seu poeta não sentia as palavras e as cuspia na platéia. Aquele poema saía perdido daquela boca confusa Numa poesia concreta do coração gelado Parede, azeite, concreto.
Hoje, como foi terça, assisti mais um filme do Kieslowisky. Eu já havia visto A fraternidade é vermelha, mas hoje foi diferente, debatezinho depois do filme e tudo...Muito bom, foi diferente também porque vi o filme com outros olhos, tô conhecendo melhor Kieslowisky e tudo que envolve as obras dele...Alias muito complexas e por isso tão geniais. Mas vi o filme (A fraternidade é vermelha ) hoje de um jeito diferente, porque a história tem a ver com fraternidade, e hoje aconteceu uma coisa -na vida real- que envolvia uma pessoa que descobrimos que é o oposto da personagem principal do filme. Ela, a personagem, era a própria imagem concreta da fraternidade, atropela um cachorro e pára pra levar ao veterinário e procurar o dono, sai correndo desesperada pra fechar as janelas do teatro porque tava chovendo, se torna amiga de um juíz solitário e amargo, esse tipo de coisa, e na vida real, essa outra pessoa ( real) é a própria concretização da falta de ética e caráter, incrível o contraste! Por isso os filmes de Kieslowisky são tão reais e tem tanta coisa do nosso cotidiano, quem não conhece TEM que conhecer, eu recomendo que já comece vendo a A dupla vida de veronique, pra mim o melhor, depois pode partir pra trilogia: Rouge, Blanc e Bleu.
A Fraternidade é vermelha
Dentro do cinema, o que Kieslowski faz é buscar na simples contemplação do cotidiano das pessoas, a arte. O que percebo é que o autor busca em todas as suas obras a sugestionabilidade. Em todas as cenas, sutilmente , pode-se perceber quadros de contemplação. Chega-se a um devaneio de cenas repletas de simplesmente: beleza. E é essa beleza que torna tão forte cenas tão simples, a mesma beleza que estamos tão acostumados a ver e não enxergar. A mesma beleza que pode se tornar , em nossos dias televisivos e virtuais, um enorme clichê, e a arte de Kieslowski está aí para fazer-nos enxergar a beleza escondida em gestos que não damos valor, mas que são a grande inspiração. A valorização de um encantamento pelo mundo não implica no escapismo nem na idealização do mundo . Dentro da idéia do feio Kieslowski consegue captar matizes de beleza. De maneira alguma o sublime está ligado ao escapismo, transmutar em arte o que é feio ou desagradável aos nossos olhos, é a grande qualidade do autor e de todos os artistas que conseguem o fazer. Mostrar a dureza dos dias contemporâneos de forma dura e crua, essa sim, pode ser uma saída fácil e quase medíocre.
Essas histórias fazem parte de uma coisa que um amigo meu criou chamada : Situações bruscamente interrompidas. É quando por exemplo você está vendo uma cena na TV e muda logo de canal, ou acaba a energia da TV logo no momento exato de uma cena, ou quando alguem está te contando uma história e chega uma outra pessoa interrompendo...Coisas desse tipo... A primeira história se chama: Terapias. De alguma forma são histórias meio verídicas.
Terapias
-É amiga...É verdade...Meu pai teve que vender um apartamento que a gente tinha lá em Belo Horizonte pra pagar minha terapia...
-Mônica!!! Mas porque? Que problema tão sério você tinha?
-Eu nunca te contei isso. É uma historia meio chata que me aconteceu, foi há uns 4 anos atras, antes de eu entrar pra faculdade. Um dia meus cabelos começaram a cair , foi de repente, e minha mãe me levou em mil médicos, no Rio, em São Paulo, ninguém sabia o que eu tinha, meus cabelos não paravam de cair ate que eu fiquei sem nenhum fiozinho...
-Mas Mônica, espera aí...Como assim? Você ficou careca???
-Careca sim, mas sabe, eu enfrentei isso com tanta tranqüilidade, pra te falar a verdade foi a época que eu mais curti na minha vida. Mas chegou uma certa hora que eu comecei a sentir falta da minha feminilidade ...Daí um dia chamei minha mãe e pedi uma peruca...
-Hahaha, ai desculpa amiga, ri sem querer...Mas é engraçado, uma peruca?
-É, minha mãe comprou duas, uma curtinha e uma maior, a curtinha eu ainda usei quando entrei pra faculdade, você lembra?
-Pô Mônica, agora que você está falando eu tô me lembrando, era ruivinha né? Parecia tão natural, nunca imaginei que fosse peruca, mas agora seus cabelos são legais, sempre achei que você usava curtinho assim porque gostava...
-É , na verdade eu não gosto, fui forçada né...Mas agora estão crescendo e vão ficar enormes como os seus um dia tá?
-Claro, você vai ficar ótima Mônica! Dou a maior força miga!
-Minha vida foi meio complicadinha, hoje eu faço terapia não porque tenho muitos problemas ou porque sou louca como muita gente pensa...Mas porque quero me conhecer melhor, me sentir melhor, no meio desse mundo horrível, ou dessas pessoas horríveis...
-É miga, eu entendo, mas eu não sei se faria terapia, eu sou muito fechada, sei lá...
-Sabe que eu acho que você deveria fazer...
-Eu? Porque?!
-Sei lá, pra mudar esse seu caráter, pra você ser mais flexível...
-Não tô entendendo, porque você tá falando isso?
SE VOCÊS DUAS NÃO CALAREM A BOCA VÃO SAIR DA SALA AGORA! ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Ética no jornalismo
-Pô, eu já inventei tanta matéria, cada coisa que acho que até eu se ler hoje acredito...
-Essa do padeiro foi o máximo, e sua chefe não desconfiava?
-Claro que não, e se desconfiava como ia provar?
-Isso é falta de ética na profissão heim...
-Ah! Espera aí, falta de Ética? E porque eu tenho que ter Ética pra escrever sobre uma árvore de natal feita com latinhas de cerveja? Ou sobre as histórias que meia dúzia de protestantes tem pra contar?
-Sei lá Paulo, mesmo sendo histórias estúpidas tem a sua verdade né?
-O dia que tive que ir a um estádio enorme de futebol pra entrevistar alguns protestantes idiotas foi o máximo, eu não falei com nenhum , fiquei lá correndo pelo estádio , imaginando que eu fosse um jogador, massa demais...
- Mas e depois como você escreveu a matéria?
-Inventei tudo claro, primeiro imaginei uma velha que sofria de uma dor incontrolável e que foi curada na igreja, depois de uma outra velha que tinha um filho gay e que mudou na igreja e mais algumas dezenas de historias assim, é muito fácil, muito lugar comum...
-PAULO VOCÊ TÁ SABENDO DA ÚLTIMA? O ACM RENUNCIOU!
----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Show gay numa mostra de decoração. ( Lembranças da Casa Cor. Essa vai especial pra minha amiga Graciely)
-Galera, prepara todo mundo que o bafon agora vai rolar! Eu e o Cláudio vamos arrasar fazendo uma performance que a gente faz bem no estilo Madonna.
- Não acredito André! E se alguém da organização aparece?E se chega visitante?
- Cruzes! Essa hora da tarde? Quem é que vai aparecer aqui na Casa cor numa tarde chuvosa de Segunda-feira?
- Vem André, a música já ta no talo!
- Cláudio, lembra daquela hora que você deita no chão e eu saio de trás dessa porta daí você da um pulo ...Não esquece...Um jeito bem Madonna de ser...
- Espera! A minha cueca tem que aparecer um pouquinho né...É um charme...
- Gabi corre aqui, olha só o show que o Cláudio e o André vão fazer, chama a galera da varanda!
- Ai! Não faz isso, com muita gente vendo eu fico tímido vai...
- Tímido? Você André? Acredito...
- BOA TARDE, SOU REPRESENTANTE DA DECA E GOSTARIA DE ALGUMAS INFORMAÇÖES...
Hoje foi o dia de "A liberdade é azul"... Eu já havia assistido, não me marcou tanto quanto "A dupla vida de Veronique" ou "Rouge", mas vale a pena, valeu por ficar depois duas horas ouvindo os devaneios das pessoas sobre o filme e sua personagem, uma mulher patética interpretada pela Julliet Binoche, só por isso está valendo a pena estudar sobre cinema... Alias eu ando pensando nessa expressão "valeu a pena"...Ela significa que as coisas são uma pena? são sofríveis? quem compreende essa expressão pode deixar seu comentário sobre.
No mais o dia foi estranho, aconteceram várias coisas, e algumas foram mesmo uma pena...