Dias atrás eu contei aqui a lembrança mais antiga que o meu pai tem. Uma história lindinha, daria até um livro, todo mundo que leu adorou. E hoje eu conto aqui uma das lembranças da infancia da minha mãe, que ela mesma andou me contando. Em dois pólos completamente distantes e diferentes da mesma cidade, meu pai e minha mãe viviam quando eram crianças. Ela, uma quase Patricinha da década de 50. Minha mami brincava de escorregar nos corrimões das escadas do Palácio dos leões na praça de prefeitura, e meu pai lá do outro lado da cidade, brincava de bola de meia na rua. Mas voltando às memórias da minha mãe, que alias é linda, ela é uma mistura de Sofia Loren com Elizabeth Taylor, e quem conhece ela sabe que eu não estou mentindo, alias eu tive a quem puxar , (Ops,olha o ego!). Minha mãe ficou com ciúmes de eu ter dado tanta atenção a historia que meu pai contou, mas é que a história dele era muito poética, quem leu sabe. A dela é a seguinte: Ela e minha tia Dica, irmã super gêmea dela, (aliás as duas pareciam a Ruth e a Raquel) andavam de bicicleta todas as tardes pelas ruas do bairro do Fundinho, e iam sempre a venda fazer compras pra minha avó, minha mãe diz que elas adoravam ir até lá, porque a dona da venda era uma senhora gorda turca, e até hoje minha mãe se lembra da turca gritando: Você quer comprar pon e sabone? Pon= pão Sabone= Sabão
Será que alguém consegue achar graça dessa história? Ai, ai...É mãe eu tentei, mas acho que a sua história não vai fazer tanto sucesso quanto a do meu pai... Melhor contar aqui que você um dia vendo a novela "o clone", confundiu carga genética com carga elétrica...
Por causa de pedidos resolvi relembrar aqui a história do meu pai...
As Histórias do meu Pai...
Meu pai quando tinha uns 7 anos -ele mesmo conta- parecia uma menininha, era o caçulinha e foi criado mais pela minha tia, que era a irmã mais velha dele, do que por minha avó que tinha que cuidar de uma fazenda e de mais 8 filhos. Essa minha tia então fazia do meu pai a sua boneca, deixou o cabelo dele crescer e vestia ele de menininha. Eles vendem a fazenda e se mudam pra Uberlândia...Chegando aqui , meu pai se irrita com a historia das pessoas confundirem ele com uma menininha, então ele, que ja tinha 7 anos de idade, começa a andar peladinho só pra mostrar que não era menina. No primeiro dia que chega em Uberlândia já se fascina com os trilhos da mogyana e com a imagem do trem parado...Na primeira noite na cidade ele quase não dorme de ansiedade e assim que o galo canta ele acorda, ainda de madrugada, e sai correndo pela rua, peladinho, até chegar a estação, pra ver passar ali o trem apitando...Essa é a imagem mais remota que ele tem de Uberlândia e eu acho que mais poética impossível... Pra quem tiver o mínimo de imaginação, basta imaginar um menininho loirinho, de cabelos até o ombro, correndo por uma ruazinha calma da década de 50 ainda sob a luz da madrugada e desesperado pra alcançar o trem, e logo depois, fascinado olhando o mesmo trem partir... Ele conta que quando voltou pra casa levou uma surra, mas ninguem nunca mais esqueceu dessa história...
Tem coisa mais chata do que gente reclamona? sério...uma reclamaçãozinha de vez enquando até que vai, mas 24 horas por dia, não tem jeito de aguentar não...Isso vai me irritando, irritando, até que eu fico feito meu irmão Geller, (Pablo, garoto enxaqueca) vou ficando vermelha até sair de perto pra sempre da pessoa...e se vier reclamar de novo pro meu lado: vai ouvir demais! Sério, reclamações demais sugam a energia de todo mundo num lugar...Isso é cientificamente comprovado! Alias, tenho outra bronca: Tem coisa mais chata do que gente que quer ser sempre o centro das atenções? Isso é super irritante...Tá todo mundo numa mesa e a certa pessoa não consegue ficar sem fazer algum comentário sobre todos os assuntos, tipo, sabe de tudo, de guerra no Iraque a Cezanne, mas na verdade não sabe de nada...Aliás : Tem coisa mais chata do que gente metida a intelectualóide? Isso que é o máximo da chatice...Sério: Eu adoro ler, e também tudo que se refira a cultura e me informar, aliás vivo rodeada disso. E por isso mesmo detesto gente que fica babando pseudo-intelectualidades, sem saber na verdade de nada, e por isso ignoram e tem preconceitinhos por coisas que realmente valem a pena, feito: Le programe de TV du senheur Wagner Montes e de la Xuxa, en le monde de la imaginacion! Mon Dieu, je suis desolê! E tenho dito!
PS: a cor vermelha hoje do blog não é permanente, é só até meu momento bronca passar...
Quem é que hoje em dia tem entre 20 e 30 anos e não sentiu medo do Ney Matogrosso quando ele aparecia no Fantástico com aquelas roupas de bicho? Eu admito, eu morria de medo, saia correndo da sala, chamava minha mãe , chorava... Hoje uns 20 anos depois vi o Ney cantando no Fantástico a mesma musica que ele cantava antigamente e que me matava de susto...Ele continua o mesmo, super em forma e a mesma voz, muito bonita alias. A unica diferença é que ele não estava vestindo aquela roupa de pavão, mas de resto ele estava igualzinho...Inclusive a dúvida que eu tinha quando era criança, eu ainda tenho: Será que o Ney Matogrosso é gente feito a gente?
De novo vou citar aqui o livro do Antônio Prata! Em um dos contos ele fala sobre um jogo que ele, seu pai e sua irmã fazem inconscientemente desde crianças, e acho que muita gente joga esse jogo, que se aprende sozinho e parece coisa de louco. É o seguinte: Ele tem o costume de apostar que alguma coisa vai acontecer se alguma coisa acontecer...Calma, vou tentar explicar praticamente a doideira do cara. Por exemplo, ele está no dentista, e vê uma mulher gorda na porta da sala de espera, de repente ele imagina: Se aquele mulher sair dali em menos de um minuto caminhando rapidamente ele vai sentir dor quando o dentista for lhe dar anestesia! Deu pra entender? Bom, é tão doido que vou dar outro exemplo: Se ele estiver num restaurante, seu prato está chegando e ele imagina ( inconscientemente) que se o garçon olhar nos meus olhos a comida vai estar muito boa! Entenderam? Depois de ler esse conto, descobri que muitos loucos, e não só o autor, fazem isso vida a fora! Parece doideira, ele chegou a apostar um dia andando na esteira da academia que se o marcador da velocidade marcasse tal numero a sua família iria toda morrer ou ele, algo assim...O pior é que depois disso ele viu que estava doido, mas continuou jogando! kakakakak..coisa de doido... Eu não jogo esse jogo, nem tenho tic nervosos, ( Pablo não se pronuncie!) Mas se alguém aqui tiver ou também for igual ao doido aí de cima, pode desabafar aqui no Blog as suas doideiras! :-) Afinal, cada doido com a sua mania...
Minha tese de mestrado começa à partir desse texto aí abaixo. Ele foi suuuuuuper inspirado num texto do Antônio Prata em seu livro: As Pernas da tia Corália. Aliás esse livro é muito bom, eu recomendo. O Antônio Prata é um escritor super jovem, é filho do Mário Prata, e esse livro dele, que não é o primeiro, é muuuuuuuuito bom, eu li reli umas 5 vezes e acabou me inspirando nesse texto que inicia minha tese. Esse aí é o Antônio Prata, é legal ler um escritor da mesma idade da gente...
Fragmentos de memória
Cristiane Alcântara
São 3:30 da madrugada, e nesta hora da noite não há muitas pessoas na rua. Eu poderia então, pegar uma latinha de tinta azul, um pincel, ir para a frente de casa e na calçada eu pintaria as siglas: AOI Ninguém veria e sem testemunhas somente eu guardaria em minha memória este fato. Há agora na calçada, onde há menos de dois minutos não havia nada, uma marca deixada por mim, ela foi batizada, e é agora um pedaço preciso de calçada na enorme trama de calçadas e ruas da cidade. Um ponto determinado por mim na imensidão do universo. Eu poderia mandar um e-mail para um russo e escrever as coordenadas para que ele chegasse ao ponto preciso marcado na calçada, ele poderia assim encontrar perfeitamente minha sigla demarcada no chão: AOI. Mas não me perguntem qual o significado de AOI, não existe, AOI não significa nada, é simplesmente AOI, minha marca deixada em minha cidade. Estranho pensar agora por quantas coisas passaria, perdida no meio da cidade, a marca que eu deixei. AOI passaria por sol, chuva, pisadas, lixo, e mais sol. Todos os dias ao sair de casa eu olharia minha marca deixada no chão, e me lembraria daquele pedaço de cidade marcado por mim, e me lembraria então daquele momento, o momento em que demarquei a calçada, na madrugada do dia tal, às 3:30. Eu poderia até me lembrar se naquele dia eu estava de bom ou mau humor, se havia sido um bom ou um mau dia, talvez até me lembrasse se fazia frio ou não. Em outros dias de minha vida, mesmo sem passar por ali, eu poderia me lembrar da marca, até mesmo não vivendo mais em minha cidade eu me lembraria de AOI, escritas bem pequenas na calçada. A marca poderá desaparecer, como muitas marcas e fragmentos da cidade. São prédios antigos, placas, paralelepipedos, e meu ponto demarcado na calçada, que mesmo desaparecendo, poderão continuar existindo no momento em que forem lembrados, porque ainda assim existiram na memória de quem os lembra, de muitas ou algumas pessoas, ou quem sabe, somente uma. E isto faz com que, estes fragmentos concretos de memória, nunca deixem de existir.