Enquanto existirmos todos nós

Lembram-se de mim?

Uma menina espevitada, que deixava o vento correr com ela em mil lugares distantes e imaginários.

Ela foi namorada do Chico Buarque em Paris, e, além dele, amava um tal Olavo, ser que também era ela, então, ela se amava, e se ama, loucamente.

Essa menina um dia não deixou mais que seu ego fosse mostrado, decidiu escondê-lo. Ele ficou escondidinho ali, por alguns meses, apenas.

Um dia a menina decidiu escancará-lo novamente. Ela percebeu que ele fez e faz parte de sua história e da história de outras pessoas, além dela. E seria egoísmo demais da menina esconder tantas palavras, de tanta gente.

As palavras não vão ser escritas aqui novamente, mas as antigas, permanecerão aí, eternamente, enquanto esse mundo estranho e paralelo, chamado internet, existir, com todas as suas interfaces e universos.

Beijos eternos, enquanto existirmos aqui e ali, e mesmo, quando ali não existirmos mais, mas continuarmos aqui, aqui mesmo, neste ego confession, vivos.

Cris.



Escrito por Cris às 17h28
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A fotografia no lugar do que um dia foi

Forma de protesto em frente ao que um dia foi a "casa do landau".

             As cidades me emocionam de várias maneiras: as novas, pelo simples fato da descoberta,  depois, pelo reconhecimento que aos poucos vamos construindo com alguns espaços, que passam a ser reconhecíveis, até, fazerem parte de um cotidiano, mesmo que rápido, num convívio de 4, 5 dias. Outra forma de me emocionar com as cidades, mais especificamente com a cidade de origem, é com as diferentes maneiras de se olhar para o tão familiar. De redescobrir facetas, histórias. Eu gosto de andar pelo bairro que minha mãe cresceu, o bairro em que eu estudei. Dependendo do horário eu posso até me lembrar da sensação de estar esperando meu pai chegar pra me buscar, anos 80, ele de Brasília branca e ouvindo num volume muito alto aqueles programas sobre futebol no rádio do carro. Gosto de ouvir minha mãe contando, enquanto andamos pelo bairro, quem morava naquela casa...De como era aquela rua. E é aí, que percebemos que as cidades são tantas, são tão ilimitadas, porque além da física, da cidade de agora, real, temos as do imaginário, aquelas da lembrança. De alguma maneira elas vivem, ainda.

Hoje percebi que além de estar na memória, um ponto já não existente da minha cidade se faz presente em forma de protesto frente ao local onde um dia existiu.  Meses atrás foi absurdamente demolida uma casa modernista para que em seu lugar fosse construído um pequeno shopping. Shopping contemporâneo com linhas incoerentes em meio a casas antigas e uma praça, ainda, tranquila. A construção começou, e numa idéia fantástica, (ainda quero descobrir quem foi a pessoa ou o grupo) colocaram em frente a construção um grande poster - quase um outdoor - com a imagem da fachada da antiga casa. Assim, de alguma maneira a paisagem que vemos quando estamos na praça continua sendo a anterior. Quem olhar para o shopping, estando na praça, verá não ele, ou por enquanto, sua construção e a propaganda do que será o tal "fashion boulevard", mas sim, quem, estando na praça, olhar para o lado, verá a imagem da antiga casa, em foto sim, mas em vivo protesto, deixando mais viva em nossa memória o que um dia foi.



Escrito por Cris às 12h33
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Da série: arte e técnica - parte I

Hoje começo a postar aqui uma série de micro textos que escrevi - nos momentos de folga, sobre arte (design, arquitetura, artes visuais) e técnica. São só pensamentos lançados no papel... Idéias que podem me ajudar a compreender melhor tudo que amo em minha profissão. Amar algo de que somente nós habitamos, mundo apenas nosso, que nos faz seres mais completos, mais inteiros, indivíduos. No meu caso, o design, a arte, a crítica de arte... Então, quem se interessar em ler parte desse momento ego, e se interessa pelo assunto, aí está!

 

Parte I - ARTE E TÉCNICA

 

 

John Ruskin discutiu isso há mais de um século. Toda a história do design paira sobre as teorias feitas, refeitas e continuas sobre o tema. Em design sempre existiu a discussão entre forma, função, tecnologia e experimentação. Mas é interessante se pensar no tema a partir de outras áreas. Como a música, por exemplo.

 

Vamos lá, em design, os irmãos Campana - apesar da rapidez com que se tornaram ícones do design contemporâneo,  atravessaram um processo de evolução até se tornarem o que se tornaram hoje como designers. Até chegarem à cadeira "favela" cortaram muito pedaço de papelão e sujaram muito as mãos com cola branca. Em música, Tom Jobim até começar a dar aulas e tocar seu piano em bares escuros, estudou o instrumento desde os 7 anos de idade. Bom, mesmo depois disso, tocou durante muito tempo nos bares da vida até ter seu piano e genialidade reconhecida. Voltando ao design para esbarrar na arquitetura, Oscar Niemeyer desenhou muito e estagiou, (foi estagiário de Lúcio Costa) pra só depois de muito trabalho ser chamado para projetar Pampulha, que levou à Brasília e que levou a tantos outros trabalhos, no real sentido da palavra, que fizeram com que o arquiteto fosse incluído hoje, aos 100 anos, entre os maiores gênios da história. Na Bossa Nova, antes de ser a musa do movimento, Nara Leão estudou violão desde os 11 anos, além de canto.

 

Linguagem: a criação dela vem da experimentação, o crítico de arte Ferreira Gullar acha perigosa a ditadura do novo, do extraordinário, que faz com que um grupo de artistas contemporâneos não se prendam à experimentação sobre um mesmo trabalho, ao menos, por um tempo. Certamente pra se criar uma linguagem, que pode ser chamada também de poética ou estilo, o artista, o escritor, o designer e o arquiteto, e também o músico, precisam trabalhar. Transpiração. Então, depois disso, se ele tiver a sorte de ser reconhecido, seu trabalho se tornará mais e mais conhecido dentro ou fora do meio em que trabalha.

 

O que acontece é que nossa contemporaneidade, internética, globalizada, libertária e filhote da total rejeição à ditadura,  tem tido o talento para transformar qualquer coisa, obra ou pessoa, em genialidade. Somos filhos de uma sociedade imediatista, nossos gênios hoje tem 15, 18, 30 anos de idade. A mídia precisa criá-los logo, vendê-los mais rápido ainda e criar rapidamente outros. E assim, a arte e tudo que ela simboliza, têm se tornado pueril.

 

O fenômeno é totalmente novo, e deve ser teorizado daqui a alguns séculos, até lá,  só nos resta viver, e não, definitivamente, não, tentar compreender a nossa era. É que é difícil demais. Precisamos de tempo, só um tempinho...



Escrito por Cris às 23h55
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aniversário

Te dei meus olhos pra tomares conta...



Escrito por Cris às 10h49
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amor fati

Amor fati é uma expressão latina cuja tradução livre seria "amor ao fado", "amor ao destino".

O significado da expressão varia conforme o entendimento dos termos fado e amor.

  • A expressão aparece em Nietzsche, sendo usada como "fórmula para a grandeza do homem" e que significa:

"Não querer nada de diferente do que é, nem no futuro, nem no passado, nem por toda a eternidade. Não só suportar o que é necessário, mas amá-lo".

O termo aparece varias vezes em Gaia Ciência, mas é neste trecho em particular citada de forma mais clara:

"Quero cada vez mais aprender a ver como belo aquilo que é necessário nas coisas: - assim me tornarei um daqueles que fazem belas as coisas.

"Amor fati" [amor ao destino]: seja este, doravante, o meu amor" Não quero fazer guerra ao que é feio. Não quero acusar, não quero nem mesmo acusar os acusadores. Que minha única negação seja 'desviar o olhar'! E, tudo somado e em suma: quero ser, algum dia apenas alguém que diz sim."

Para Nietzsche, "amor fati" é amar o inevitável, amar o destino, amar o justo e o injusto, o próprio amor e o desamor. Ou seja,"ser, antes de tudo, um forte", sem se reclamar da vida, sendo indiferente ao sofrimento. Uma retomada do antigo pensamento grego dos filósofos estóicos.

 



Escrito por Cris às 10h46
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A pintura e a predileção



Tive e tenho muitos ídolos. Nomes para referência. Anita Malfatti sempre foi um deles.
Nunca gostei da Tarsila. Exibida, segura demais, senhora de si, conversadeira e popular.
Anita foi para Europa, a menina de mão manca, foi estudar pintura acadêmica.
O amor à pintura salvou Anita. Ela era timida demais, quieta demais, insegura demais.
Não sabia ela a força que tinha. Anita certamente foi o artista brasileiro que mais próximo esteve dos principais movimentos das vanguardas do início do século 20. Ela participou como observadora de todos. Conheceu Duchamp em Nova York e foi ela quem trouxe pela primeira vez, ingenuamente feliz, o primeiro sopro, ou furacão, de arte moderna para o Brasil. Em 1917, a menina tímida, talentosa e ingênua trouxe sua pintura vanguardista para a provinciana São Paulo. A ira de Lobato arrebatou a menina, que travou. Medo, vergonha, desespero, isolamente. Anita se isolou. E nunca, nunca mais pintou como pintou antes de Lobato. Pobre Anita. Voltou para a pintura das moças bem comportadas. Depois, virou naif.

Nunca mais teve a força que teve um dia. Sua pintura alcançou tudo que poderia alcançar rápido demais. E pronto, estava feita e finalizada. Anita durou como genialidade apenas uns poucos anos. Anos que lhe valeram seu nome na história da arte.
Não conseguiu ela o amor de Mário, oh, Mário, exagerado Mário, risonho Mário, singelo Mário...
Anita nunca deixou que lhe comprassem sua tela predileta, aquela, que mesmo antes de o conhecer, Anita havia pintado para ele.
A tela nunca foi vendida, e foi sempre de Mário.

Escrito por Cris às 21h00
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presença...



amigas: são aquelas que sentem coisas parecidas, falam a mesma lingua
e trocam o que de mais importante tem para ajudar uma a outra...

E você: nessa noite, a sua presença, mesmo que distante fisicamente, estava aqui, entre a mala, o gato, e o coração...

sempre...

de alguma maneira, em meio às nossas coisas
e à nossa casa...

Escrito por Cris às 18h43
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é uma menininha doce e meiga
e quando sei que me olha sei que me aperta a mão
como me apertou um dia
ela brinca de pular corda
salta sorrindo alto demais
e a cada salto
te vejo feliz
anjinho de asas grandes
amada, amada demais...
então, de tão amada
virou anjo
brinca aqui e acolá...
ri alto
e é feliz
só feliz...

Escrito por Cris às 07h46
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Um dia Basquiat...

Um dia Basquiat brincou de pintar.
Ele pintava e imaginava que esquecia das coisas que estavam deixando Basquiat triste.
Ele passou a noite pintando, e depois viu que o que havia pintado havia se tornado feliz.
Então ele havia também se tornado feliz. Feliz enquanto pintava.
Basquiat depois se sentou na cadeira vermelha e tirou uma fotografia:
a imagem de um dia feliz.



Escrito por Cris às 20h42
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Doutorado à frente...

A decisão para o doutorado é muito, muito mais difícil do que pra um mestrado...
Mestrado são 2 aninhos, tudo é novo e nem sabemos o que vem pela frente.
No doutorado sabemos que tudo do mestrado vem duplicado.

Enfim, depois de muito pensar, e outros motivos além do simples fato de querer fazer o doutorado,
decidi, vou mandar o projeto. Dentro destas duas semanas tenho que: revisar um projeto já escrito ( o tema nem me perguntem, vou falar muito disso aqui nestes 4 anos), me inscrever e conseguir um orientador, aliás, o fato de conseguir o orientador vem antes de tudo. Vou ficar na barra da saia ou da calça de alguns deles lá na UNB.

Mãos a obra, lá vou eu...

Escrito por Cris às 07h50
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